quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Brasil, o Pt, o Maluf – crônicas quase possíveis.


Trata-se de uma experiência. Quando 1989 nasceu, tinha início um ano que deve ser permanentemente revisitado. Luiza Erundina assumia a Prefeitura da cidade de São Paulo e, não creio que tenha sido obra do acaso, assumi a superintendência do Centro de Treinamento da Companhia de Engenharia de Tráfego da mesma cidade.
Creio que tanto eu quanto ela – mas, muito mais eu que ela – iniciávamos uma relação com o que chamarei aqui de “máquina de Estado” e que nos marcaria indelevelmente. A nós e a muitos como nós. Naquele ano, para não me perder em meio às necessárias restrições escalares, parte considerável da região metropolitana passou a ser administrada pelo PT e nós deixamos a desconfortável condição de militantes do chamado movimento popular e nos tornamos funcionários de Estado em nome do movimento popular.
Minha trajetória, muito mais curta que a da maioria, terminaria 10 meses depois. Muitos dos companheiros daqueles tempos continuam seu caminho nessa ambígua ante sala entre a condição de militante e a de funcionário. Mas, só marginalmente, isso terá importância nesta quase crônica.
O que 1989 nos mostra, mais que militantes de carteira assinada é o avanço de um tipo muito específico de relação rumo ao Estado: aquela que se define pelos parâmetros do movimento sindical e que, naquela época, mimava e minava o governo Erundina.
A lógica do sindicalismo se fortalece como alternativa política e toma conta do PT enquanto uma forte corrente interna. É o sindicalismo e, portanto, os sindicalistas e suas perspectivas que darão o mote geral do processo e é nesse movimento que teremos Lula presidente.
A logica sindical toma conta da máquina federal e amplia substancialmente o número de funcionários. O que nos levaria a outra crônica é a constatação do papel do Estado como legitimador das fragilidades discursivas da esquerda. Iniciado no período FHC/Erundina (não me engano no jogo escalar) os marginais da ditadura militar se tornam situação, e como tais abandonam a disputa pública da legitimidade e se apropriam da condição de falar em nome do Estado como se isso os legitimasse a priori.
Mais que FHC, e, por isso mesmo, muito mais que a ideologia da oligarquia paulista, o sindicalismo conquistou a condição de tornar, definitivamente, o Brasil um país capitalista. O que torna incontestável o papel de Lula como estadista e a marginalização da esquerda como projeto de sociedade. De qualquer forma, a figura máxima desse processo sobrevive aos caçadores de direita (como parte considerável da grande imprensa) e ao “fogo amigo” dos militantes com carteiras assinadas.
Sobrevive a tal ponto que foi capaz de tornar Dilma Russef a presidenta eleita que, sem o carisma do nosso estadista, acaba realizando a prática moral que tenta manter à distância os chamuscamentos do “fogo amigo”.
Acontece, no entanto, que o sindicalismo e sua lógica parece se apossar de algo para além do caminho que conheceu tão bem: a mediação política. Aparentemente blindado, o Aquiles brasileiro tem se esquecido de proteger seus calcanhares. Imagina que poderá fazer de Haddad outra Dilma e para tanto aperta as mãos de Maluf como se imune fosse aos venenos do inimigo.
Fico a pensar: será que, finalmente, Maluf conseguiu derrotar Lula? Sem tropas, sem polícias, sem torturas: somente com uma promessa de 90 segundos a mais na TV.
Interessante. Até o momento, no país dos funcionários, o emprego da militância parece se garantir pela fantasia de que a lógica sindical está acima de qualquer suspeita. Acontece, no entanto, que tal como de outras vezes, a visita a Maluf tem o formato acabado da traição política, sem carregar consigo a mediação do estadista.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notícias da Antiguidade Ideológica



Depois de ler o texto de Cláudio Benito de Oliveira Ferraz - Professor da UNESP - Presidente Prudente, onde ele se "digladiava" com a urgência de sistematizar as fortes impressões que o filme Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital (Versátil, 2011), que o cineasta alemão Alexander Kluge provocou com suas quase 9 horas de duração não resisti e, tal como ele, me dediquei a assistir esse magistral e incômodo exercício cinematográfico.

Poesia e teatro, entrevistas e balé, exegese e delírio e os personagens citados no título vão tomando conta de uma trama que só a retomada de Eisenstein poderia provocar. Com o filme ainda passeando pelas retinas confirmei o quão interessante é o texto de Cláudio - o qual, se não me engano, está sendo publicado pela revista de geografia da UFGD (intitulada Entre-Lugar) - o qual, em busca de alguma sustentação, vai em busca de Deleuze e Guaterri, mas, no meu entender, consegue achar dentro de si mesmo a condição necessária para os comentários que desenvolveu.  .

Hoje acessei o texto de Alexandre Pilati (cujo link postei no Twiter) e não vi outra alternativa que convidar a todos a se debruçarem sobre este filme imperdível.
Só como exercício inicial vale acessar um dos trechos disponíveis no You Tube (http://www.youtube.com/watch?v=C3a9FmMyIPg&feature=fvwrel), o qual pode ser uma referência interessante para o que tendemos a chamar de "leitura da paisagem". Convido a todos a acompanhar o video lembrando que, também no You Tube, há outros fragmentos magistrais.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Geopolítica

Hoje, observando os comentários de uma aluna de Relações Internacionais (Karliene Castelari) me deparei com a seguinte afirmação: o Estado transforma a geografia (topologia) em geopolítica.  
Num primeiro momento tentei me lembrar se tal frase teria sido dita por mim e, rapidamente, conclui que não. De qualquer maneira, está dada como uma tese viável para o formato geral do imperialismo contemporâneo. Como diria o grande Saramago (em seus Cadernos de Lanzarote), é presico descarnar as palavras, desvendar seus significados e aqui fica mais uma proposição para o debate.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os comentários de Vicente di Cioni



O texto a seguir me foi encaminhado pelo amigo Vicente di Cioni, professor titular
 de Teorias e métodos da Geografia na Universidade de Buenos Aires. Como disse a ele quando recebi os comentários, esta é a primeira manifestação escrita que recebi sobre um texto que foi publicado na revista Terra Livre número 30, de 2008. Bom, pedi a ele que me desse a honra de colocar esses comentários em meu blog. Lá vai:

Acabo de finalizar una primera lectura rápida de “Sobre as armadilhas que construimos e o que devemos fazer con elas” de Douglas Santos, en el que expone las caídas positivistas del pensamiento crítico al soslayar la unidad de los momentos subjetivos y objetivos de la realidad.
El texto de Douglas es interesante por haber resaltado la caída positivista de la geografía crítica en tanto se pregunta más por el objeto que por el sujeto del quehacer geográfico y por el proceso mismo de tal quehacer.
La crítica alcanza a Milton Santos quién sostenía en su "La naturaleza del espacio" (sin más ni menos) que el objeto de la geografía, en su caso "el espacio geográfico",  es el que determina el corpus disciplinario, es decir, el sujeto que hace la geografía. El libro de Milton Santos data de 1997. Extrañamente fue un texto que “conmovió” a muchos por diferentes motivos. En mi caso lo fue por haber tomado cierta distancia metodológica con un texto de 1982
Esta cuestión crucial la tuve siempre presente desde mis incursiones como estudiante de Geografía y, antes, de filosofía y sociología. La idea fue plasmada en un pequeño texto crítico que algunos compañeros de militancia escribimos en 1973 a modo de manifiesto programático al hacernos cargo de la dirección del Instituto de Geografía y el Departamento de Geografía de la UBA.
En 1985, con motivo de mi retorno a la Universidad (fui desterrado junto con muchos por la derecha peronista en 1974), emprendí una búsqueda histórico-geográfica-sociológica de esa disciplina que se dió en llamar geografía. A tal efecto me sirvieron fundamentalmente las Lecciones de la historia de la filosofía, La Enciclopedia de las ciencis filosóficas, La Lógica y Filosofía de la historia de Hegel.
Siguiendo a Hegel, sostuve que la geografía había perdido la unidad de los momentos subjetivos y objetivos de la realidad, los que que combinan en la noción hegeliana de "Idea", siendo la "Idea absoluta" la praxis histórico social que "producen" la conciencia y sus contenidos. La identidad sujeto-objeto la consideré clave. Con el tiempo definí sencillamente al momento subjetivo como conjunto de procesos diversos de organización de la realidad como totalidad y de sus partes. Luego la multiplicidad de objetos y su unidad o totalidad es el resultado de cierta organización, la cual no es otra cosa que la praxis colectiva e individual.
A partir de este supuesto cometí la herejía "científica" de sostener que eso que llamamos geografía es la unidad desigual y contradictoria de todas las formas histórica y geograficamente producidas y por producirse, entre ellas las lógicamente posibles. Esta definición era y es, sin duda, muy abstracta, pero también muy concreta, según se mire. Implica reconocer que hay, en primera instancia, muchas geografías y geógrafos y que tal reconocimiento era fundamental a la hora de comprender la dispersión de representaciones y prácticas con sentido democrático, lo cual implica el reconocimiento de unos y otros.
En términos más concretos definí, luego, a los objetos como formaciones económico sociales. Esta noción, sabemos, denota y connota la diversidad de momentos objetivos y subjetivos. Lo central no está dado por el producto-formación, sino por la "formación" como proceso desigual y combinado de "organización" de lo real.
En síntesis: creo que, por diferentes caminos, hemos llegado a la misma conclusión: es necesario no caer en las trampas (armadilhas) del empirismo positivista, entre ellas sus vertientes "logicistas" proclives a las definiciones formales desdialectizadas y, por lo tanto, abstractas.
[El Palomar, 12/06/2012]

terça-feira, 15 de maio de 2012

Caros Amigos,
É com o maior prazer que envio a todos a lista de "links" que nos permite acessar as gravações em audio que conseguimos fazer no transcurso dos 3 dias do seminário que, entre 07 e 09 de maio realizamos na PUC-SP e cuja programação foi a seguinte:


CICLO DE PALESTRAS
“O PENSAMENTO GEOGRÁFICO E OS DISCURSOS SOBRE O BRASIL”

Realização do Departamento de Geografia da PUC-SP e
Núcleo de Estudos das Geografias do Contemporâneo da USP

Programação
Dia 7 de maio
O Discurso Geográfico no Brasil - a construção da brasilidade, suas leituras e seus leitores.
Palestrante: Prof. Dr. Douglas Santos (PUCSP).
Debatedores: Prof. Dr. Jorge Barcellos da Silva (UNIFESP) e
Prof. Dr. Mauro Luiz Peron (PUCSP)

Dia 8 de maio
Uma Leitura da Geografia do Brasil: os lugares, suas tramas e suas escalas.
Palestrante: Prof. Dr. Ruy Moreira (UFF)
Debatedores: Prof. Dr. Antonio Rago Filho (PUCSP) e
Prof. Dr. Douglas Santos (PUCSP)

Dia 9 de maio
Geografia e geograficidade: a ordem das categorias e a invenção dos conceitos.
Palestrante: Prof. Dr. Ruy Moreira (UFF)
Debatedores: Profa. Dra. Cecília Cardoso (PUCSP e FSA) e
Prof. Dr. Élvio Rodrigues Martins (USP)

E, no dia 10 de maio, por parte do Colegiado de Geografia do CUFSA,
“Aziz Ab'Saber - uma contribuição ao pensamento e à Ciência Geográfica”
Palestrante: Prof. Dr. Ruy Moreira (UFF)
Palestrante: Prof. José Bueno Conti (USP)
Mediadora: Profa. Dra. Cecília Cardoso (PUCSP e FSA)
Locais:


VALE LEMBRAR QUE O ACESSO AOS ARQUIVOS SÓ PODERÁ SER FEITO SE ELES FOREM "BAIXADOS" EM SEU COMPUTADOR.
UM OUTRO DETALHE É QUE AINDA NÃO POSSUO AS GRAVAÇÕES DAS ATIVIDADES REALIZADAS EM SANTOS ANDRÉ.
Abraços a todos,
Espero que ouçam e que possamos dar continuidade aos debates que tanto precisamos realizar.

http://www.mediafire.com/?2l805uxlynb25rj

http://www.mediafire.com/?31qroxy4y4o74eq

http://www.mediafire.com/?f1bxjec44j45xds

http://www.mediafire.com/?cxtqtui7sax2017

http://www.mediafire.com/?3oqh3flfvn5i6dt

http://www.mediafire.com/?pm1a0kijitkf38t

Douglas Santos
Dpto de Geografia PUC-SP

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PAISAGEM, TERRITÓRIO, REGIÃO 2


Antes que possamos a ler os textos de referência e, consequentemente, retirar ou identificar neles os pensamentos de um autor, é preciso que tenhamos, de alguma maneira, pactuado significados. Não há língua que não carregue consigo uma infernal gama de polissemias. Cada palavra, e aquelas que povoam os discursos acadêmicos com mais razão ainda, carrega consigo os significados que a geraram e, na sequencia, os significados que seus usos provocaram. Trata-se, de fato, de um terreno escorregadio. José Saramago, no primeiro volume de seus Cadernos de Lanzarote, numa página que já não lembro, nos convoca a “descarnar as palavras”, retirando delas suas coberturas e expondo-as em todo sua nudez (evidentemente que cito de memória) e, não podemos deixar de lado que, anos depois, ao escrever A Viagem do Elefante (na página 71 da edição brasileira), observamos a seguinte digressão:
“No cristianismo são quatro, meu comandante, com perdão do atrevimento, Quatro, exclamou o comandante estupefacto, quem é esse quarto, A virgem, meu senhor, A virgem está fora disto, o que temos é o pai, o filho e o espírito santo, E a virgem, Se não te explicas, corto-te a cabeça, como fizeram ao elefante, Nunca ouvi pedir nada a deus, nem a jesus, nem ao espírito santo, mas a virgem não tem mãos a medir com tantos rogos, preces e solicitações que lhe chegam a casa a todas as horas do dia e da noite, Cuidado, que está aí a inquisição, para teu bem não te metas em terrenos pantanosos, Se chego a viena, não volto mais, Não regressas à índia, perguntou o comandante, já não sou indiano, Em todo o caso vejo que do teu induísmo pareces saber muito, Mais ou menos, meu comandante, mais ou menos, Porquê, Porque tudo isso são palavras, e só palavras, fora das palavras não há nada, Ganeixa é uma palavra, perguntou o comandante, Sim, uma palavra que, como todas as mais, só por outras palavras poderá ser explicada, mas, como as palavras que tentaram explicar, quer tenham conseguido fazê-lo ou não, terão, por sua vez, de ser explicadas, o nosso discurso avançará sem rumo, alternará, como por maldição, o errado com o certo, sem se dar conta do que está bem e do que está mal...”

 Este é o terreno sobre o qual andamos e, certamente, escorregamos perigosamente. Todos os textos que serão apresentados, lidos, relidos, desmontados e remontados, exigem, sempre, explicações e, tal como podemos acertar de princípio, tais explicações se farão com mais palavras e o autor, que no presente caso sou eu, de forma relativamente prepotente estabelecerá limites, imporá recortes, dirá o quanto basta dizer sobre o que outros autores consideraram e deram, anteriormente, o seus bastas. Trata-se, portanto, de se realizar “in vitro” o dialética necessária à construção do conhecimento.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PRÁTICA DE ENSINO EM GEOGRAFIA


Tal como os textos relacionados ao tema: Paisagem, Território e Região, este também é fruto dos muitos cursos que ministrei. A diferença está no fato de terem sido oferecidos aos alunos de especialização em ensino de Geografia e não aos de graduação.
No ritmo das possibilidades (esses textos, infelizmente, são escritos nos intervalos dos compromissos com as aulas, a editora do Brasil, a editora Abril, os cursos de Moçambique e, vez ou outra, o direito de tomar uma cerveja no final de semana) aqui, também, tentarei reproduzir as aulas que ministrei e fragmentos de textos apresentados por alunos.
A base geral dos textos tem por bibliografia a mesma que se encontra no quadro do curso. Novos textos serão citados no transcorrer e referenciados diretamente (não haverá uma bibliografia no final dos texto, considerando o fato de que todos eles serão publicados de forma fragmentária, seguindo, da melhor maneira possível, o formato dos blogs.

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA – PUC/SP

INTRODUÇÃO
As práticas do ensino de Geografia tornaram-se motivo de debates intensos e reflexões há, pelo menos, três décadas e, nesse percurso, temos amadurecido nossos posicionamentos. Em linhas gerais pode-se resumir o processo nos seguintes termos:
·  Entre os anos 70 e meados dos 80 tivemos como foco central o repensar dos conteúdos que identificam nossa disciplina. Nesse período, identificamos o estreito relacionamento entre nossos desenvolvimentos temáticos e os fundamentos do pensamento de cunho funcionalista além da estreita relação entre tal posicionamento e a defesa subjacente aos interesses de Estado e das classes dominantes (como já foi denunciado por Lacoste, Moreira e Santos)
·  No transcorrer dos anos 80 até o início dos 90 verificamos a insuficiência de nossas críticas, na medida em que o reordenamento dos conteúdos não interferiu, diretamente, numa melhor qualificação dos processos de ensino-aprendizagem desenvolvidos por nossos professores. Nesse período procuramos identificar os vínculos possíveis entre as novas leituras e as discussões de ordem pedagógica que, normalmente, se relacionam aos primeiros anos do ensino fundamental.
·  Por fim, a partir do final dos anos 90, verificamos que, para além de uma discussão que buscasse o vínculo entre os conteúdos propostos e as leituras pedagógicas, carecíamos de um maior aprofundamento sobre o significado da própria instituição escolar. Tal constatação se dá na medida em que os problemas relacionados ao ensino de nossa disciplina são, na verdade, comuns a toda a prática escolar. É, justamente, esse o momento pelo qual passamos e é com tais preocupações que o presente curso se realiza.
OBJETIVOS GERAIS DO CURSO E SISTEMA DE AVALIAÇÃO
Com o objetivo de colocar em evidências as relações propostas na INTRODUÇÃO o curso terá como foco principal a identificação do significado da Geografia no processo de ensino-aprendizagem. Para tanto procuraremos evidenciar as estruturas lógicas subjacentes à produção do pensamento geográfico e, com elas, o significado de tal aprendizagem no processo de desenvolvimento cognitivo do educando.
Para fins de avaliação os alunos devem apresentar ao final do curso, em formato eletrônico e dirigido ao endereço dsantos@pucsp.br um caderno de anotações  contendo os conteúdos ministrados em aula e os comentários pessoais que porventura o aluno considerar pertinente. Será considerado completo o caderno que contiver anotações e comentários de todas as aulas efetivamente ministradas.
Aula
Temário central
  1.  
Apresentação do curso. Linguagem e conhecimento. As linguagens da Geografia
  1.  
Linguagem e lógica. Geografia e lógica. A ordem topológica. O aprender e o ensinar Geografia. Alfabetizar em Geografia. O desenvolvimento das estruturas lingüísticas nos ensinos: fundamental, médio e superior; a relação entre o domínio dos conteúdos e o desenvolvimento cognitivo.
  1.  
 O que se ensina e o que se aprende: a diferença entre conteúdo e objetivo pedagógico. Conteúdo, avaliação e ressignificação das estruturas discursivas Geografia como disciplina escolar
  1.  
A Geografia na primeira fase do ensino fundamental (1o. ao 5o. anos)
  1.  
A Geografia na segunda fase do ensino fundamental ( 6o. ao 9o. anos)
  1.  
A Geografia na segunda fase do ensino fundamental (6o. ao 9o. anos)
  1.  
A Geografia no ensino médio
  1.  
O que falta discutir. Avaliação final do curso.
Bibliografia
Bachelard, Gaston, escreveu, entre outras muitas obras, “A Formação do Espírito Científico” publicada no Brasil em 1996 pela editora Contraponto do Rio de Janeiro. Tal obra nos traz uma profunda reflexão sobre o processo de construção do conhecimento humano e trata-se de um livro de leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.
Burtt, Edwin, escreveu “As Bases Metafísicas da Ciência Moderna”, editado pela Universidade de Brasília, Brasília, em 1991. Trata-se de um texto da maior importância para quem quiser refletir sobre o significado da matemática no desenvolvimento da ciência até o Iluminismo. Para um maior aprofundamento em relação à Matemática e à Física indicamos a leitura dos capítulos referentes a Copérnico, Descartes e Newton.
Carvalho, Marcos B. autor de “O que é Natureza” – publicado na coleção Primeiros Passos da Ed. Brasiliense, coloca em evidência o fato de que o que entendemos por Natureza é, na verdade, uma construção social. Apontando o sentido dessa expressão em diversos momentos históricos veremos que cada sociedade, dependendo dos interesses que a hegemonizam, entendem Natureza de uma forma específica.
Changeux, Jean-Pierre e Connes, Alain escreveram Matéria e Pensamento, publicado pela Editora Unesp, São Paulo, em 1996 – Trata-se de um diálogo entre um biólogo (o primeiro) e um matemático. A leitura do primeiro capítulo (págs. 11 a 34) nos permitirá identificar a profunda polêmica existente sobre o papel e o significado da matemática. A posição de que a matemática é uma linguagem é discutida com alguma riqueza de detalhes nesse livro.
Crosby, Alfred W. em seu livro “Imperialismo Ecológico”, editado pela Companhia da Letras em 1993, traça um interessante perfil do processo de colonização levado a cabo pelos Europeus realçando os aspectos ecológicos do processo. O subtítulo do livro é suficientemente esclarecedor: “A expansão Biológica da Europa: 900-1900”. Consideramos que se trata, para quem quer se aprofundar nas discussões sobre o significado do processo expansionista europeu do ponto de vista ambiental, um livro de leitura obrigatória.
Freinet, Célestin, escreveu “O Método Natural”, publicado em língua portuguesa pela Editorial Estampa, de Lisboa, em primeira edição no ano de 1977, em três volumes distintos. No primeiro o autor trata da aprendizagem da língua, no segundo da aprendizagem do desenho e, no terceiro, da escrita. A obra de Freinet causou, desde seus primórdios, intensas polêmicas entre os educadores, mas, podemos afirmar, paulatinamente ela foi se consolidando tanto na forma de publicações de cunho acadêmico quanto pelo surgimento de escolas, espalhada por diversos países, inclusive o Brasil, inspirada em seus ensinamentos. Os três volumes d”O Método Natural” constituem a base de toda a sua obra e merecem serem lidos e discutidos em profundidade. Chamamos a atenção para o segundo volume (a aprendizagem do desenho) de onde retiramos alguns pensamentos inspiradores na discussão sobre o papel da cartografia no processo de ensino-aprendizagem.
É dele, também, As técnicas Freinet da Escola Moderna –– Ed. Estampa Lisboa – 1975, um pequeno volume de bolso que sintetiza algumas de suas principais idéias.
Freire, Paulo é o autor da obra A Importância do Ato de Ler em três artigos que se completam – publicada pela Ed. Cortêz de São Paulo que em 1994 já estava em sua 29ª edição. Nessa obra Paulo Freire redimensiona o significado de “ler” ampliando, igualmente, a noção de linguagem.
Harper, Babette et alli escreveram “Cuidado, Escola: Desigualdade, Domesticação e Algumas Saídas”. Apresentado por Paulo Freire (equipe do IDAC)  e editado no Brasil pela Ed. Brasiliense, 19ª ed. 1985, S Paulo. Trata-se de uma das publicações mais importantes sobre o significado de escola que dispomos no Brasil. Escrita para leigos, é de leitura obrigatória tanto para alunos quanto para professores.
Marx, Karl é, sem dúvida, um dos mais referenciados e polêmicos autores dos últimos duzentos anos, já que, contra ou a favor, uma parcela considerável de toda a produção intelectual, desde meados do século XIX, de alguma maneira se referencia em sua obra. Indicamos uma publicação em espanhol denominada “Elementos Fundamentales para a Crítica de la Economía Política (Grundrisse) 1857~1858” e publicada pela editora Siglo Veintiuno Editores de Madri (a edição que dispomos é de 1986). No Brasil a ed. Martins Fontes, de São Paulo, publicou em 1983 (em Segunda Edição) uma parte dessa obra com o título de “Contribuição à Crítica da Economia Política”. O texto que nos permite observar as reflexões de Marx sobre a construção do “concreto em pensamento” está publicado nessa edição e se encontra entre as páginas 218 e 226.
Olson, David R. escreveu O Mundo no Papel, publicado no Brasil pela Ática, São Paulo, em 1997. Nesse trabalho o autor procurou identificar o significado da leitura e da escrita na construção da inteligência humana. Não indicaremos, aqui, alguma página específica que poderia ser considerada de interesse maior que outras: vale ler o livro inteiro.
Souza Santos, Boaventura de; é o autor de uma obra intitulada “A Crítica da Razão Indolente – contra o desperdício da experiência” publicada no Brasil pela editora Cortez, de São Paulo, no ano 2000. Souza Santos é um dos mais conhecidos e influentes sociólogos portugueses contemporâneos. Autor de uma vasta obra que procura refletir desde temas como “Pós-modernidade” até o significado do conhecimento científico em nossa época, a obra aqui citada possui duas características que devem ser realçadas: A primeira refere-se ao fato do autor procurar colocar em questão o tipo de conhecimento que foi sendo construído, principalmente pelas sociedades ocidentais, a partir do renascimento e, o segundo, o fato de ter escolhido a cartografia como uma ferramenta eficaz para a reestruturação de nossa maneira de pensar o mundo (o papel da cartografia no processo de ensino-aprendizagem é tema de item específico).
Szamosi, Gésa, escreveu “Tempo & Espaço, As Dimensões Gêmeas”, editado pela Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, em 1988,  onde principal objetivo é demonstrar que é o tipo de vida e as condições biológicas que definem tais percepções e, dessa maneira, a capacidade humana de pensar, falar e escrever é determinante no desenvolvimento de nosso entendimento do que seja o mundo em que vivemos. Nos dois primeiros capítulos, o autor procura identificar o sentido geral da evolução biológica e suas relações com as percepções de tempo e espaço e a leitura dessa parte do livro pode nos ajudar a compreender o sentido do processo de ensino-aprendizagem – mesmo que esse não seja o objetivo específico do texto – na medida em que se evidencia o papel da linguagem na construção do pensamento.
Vigotski, L. S, escreveu “Pensamento e Linguagem”, editado pela Martins Fontes, São Paulo, em 1999. É um texto que deve ser lido integralmente já que o autor é, hoje, reconhecidamente, um dos mais influentes personagens do debate sobre o processo de ensino-aprendizagem.
Também usamos como referência um outro livro do mesmo autor denominado “A Formação Social da Mente” editado pela Martins Fontes, São Paulo, em 1998. Nele encontraremos um amplo conjunto de textos tratando, além de questões fundamentais da psicologia infantil, de questões básicas da relação ensino-aprendizagem. Chamamos especial atenção para essa segunda parte, já que categorias fundamentais, tais como “zona de desenvolvimento proximal”, são ali discutidas com riqueza de detalhes.
Whitrow, G. J. escreveu o livro “O Tempo na História” editado no Brasil pela Jorge Zahar Editores, do Rio de Janeiro em 1993. Nele encontraremos uma série muito interessante de reflexões sobre o significo de “tempo” da pré-história até nossos dias. Esse texto está aqui citado, no entanto, para fazer referência às reflexões do autor sobre o papel da linguagem oral e escrita que encontraremos nas págs. 36 a 38 e que valem a pena serem lidas.